Prefeituras apontam impacto da crise econômica e resistência em relação a animais idosos

Apesar de o Dia Mundial dos Animais ter sido celebrado em 4 de outubro, os números de adoção de cães e gatos no Grande ABC mostram um cenário de retração. Entre janeiro e agosto de 2025, as prefeituras da região contabilizaram 610 adoções, contra 680 no mesmo período de 2024, o que representa uma queda de 10%.

De acordo com a gerente do Controle de Zoonoses de Santo André, Sandra Prado, a diminuição reflete principalmente a preocupação da população com os custos de manutenção dos pets. “Esse é um movimento nacional. Muitas vezes a adoção era feita por impulso, mas as despesas com alimentação, vacinas e cuidados veterinários levavam ao abandono. Hoje, as pessoas estão mais conscientes”, explicou. Ela também destacou o papel dos voluntários, que atuam diretamente no resgate de animais em situação de rua.

No ranking regional, Santo André aparece na liderança, com 266 animais encaminhados para novos lares nos últimos oito meses. Na sequência estão Ribeirão Pires (164), Mauá (87), São Bernardo (33), São Caetano (23), Diadema (22) e Rio Grande da Serra (15).

Segundo Sandra Prado, o preconceito ainda é um obstáculo. “Muitos acreditam que os animais idosos não viverão por muito tempo. No entanto, oferecer qualidade de vida nesse último ciclo é fundamental. Curiosamente, são pessoas de idade mais avançada que costumam adotar esses pets, enquanto os filhotes continuam sendo os mais procurados”, completou.

Um dos maiores desafios está na adoção de animais idosos. Dados de Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá apontam que, entre as 408 adoções registradas nesses municípios, apenas 38 foram de pets mais velhos. As demais cidades não divulgaram informações sobre esse perfil.

DEPOIMENTO DO GRUPO DE APOIO AOS ANIMAIS DO BAIRRO PAULICÉIA SBC. 

Nós do SOS Pet Pauliceia sentimos, com preocupação, a notícia de que as adoções de cães e gatos nas cidades da região caíram cerca de 10%. Reconhecemos que adotar um animal é um gesto lindo de amor, mas também sabemos que muitos ainda não se dão conta de que esse ato exige compromisso real — algo que vai muito além do impulso do momento.

Assim como – quando um bebê chega –, a casa, a rotina e a família inteira precisam se adaptar, o mesmo vale para quando um novo pet entra na vida de alguém. Isso inclui tempo para adaptação, paciência, carinho, atenção, visitas ao veterinário, alimentação adequada, acolhimento emocional.

Infelizmente, muitos animais resgatados acabam não recebendo esse suporte, e isso desencoraja adoções ou pior: leva ao abandono. A adoção responsável é aquela em que o adotante entende que cuidar é uma tarefa contínua, de longo prazo, e que inclui altos e baixos.

Esperamos que, com mais consciência, apoio comunitário, incentivos por parte das prefeituras e educação sobre os cuidados com os pets — especialmente os mais velhos — possamos reverter esse quadro. Que mais pessoas percebam: adotar salva vidas — deles e dos resgatistas —, mas também exige responsabilidade.

SOS PETS PAULICÉIA.