Queda nas vendas de destilados, insegurança dos clientes e prejuízos bilionários preocupam empresários e entidades do setor

O empresário Sanderson Xavier, 53 anos, dono do Zangão Bar e Choperia em São Caetano, revelou ter reduzido em 50% os pedidos de bebidas destiladas. Segundo ele, mesmo com todos os produtos devidamente registrados e lacrados, os consumidores estão receosos. “Metade do nosso lucro vem do álcool. Mas agora a escolha é pela cerveja. A venda de vodca, uísque e gim caiu 80%”, explica.

Para o presidente do Sehal, Beto Moreira, a comercialização de bebidas industrializadas em lata deve crescer, mas não será suficiente para equilibrar as perdas. “O faturamento dos bares terá queda mínima de 15%. O público não vai deixar de beber, apenas vai trocar a caipirinha pela cerveja. O problema é que ninguém sabe exatamente onde ocorreu a contaminação, e isso gera insegurança”, aponta.

No estabelecimento Dona Adega, também em São Caetano, o gerente Leandro Valente, 40 anos, ainda não percebeu queda significativa, mas prevê retração nos próximos dias. “Com a chegada do frio, cresce a procura por uísque e vinho. Nós reforçamos nas redes sociais a procedência das nossas bebidas, que são todas rastreadas, lacradas e adquiridas de fornecedores homologados”, afirma. Ele alerta que o maior risco está no consumo de garrafas já abertas ou doses fracionadas.

A insegurança também atinge consumidores. O motorista de aplicativo Bruno Santana, 26 anos, conta que diminuiu a ingestão de bebidas alcoólicas após as notícias sobre o metanol. “Sempre gostei de gim e uísque, mas já consumi bebida adulterada no passado e passei mal. Agora, redobro o cuidado”, relata.

De acordo com a Fhoresp (Federação dos Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo), fraudes e adulterações no setor devem gerar perdas de até R$ 100 bilhões em 2024. A entidade alerta para sinais de risco como preços muito baixos, lacres mal posicionados, odores fortes e divergências nas informações das notas fiscais.