Tribunal reforça que retorno dos investigados aos cargos poderia comprometer investigações e favorecer retomada de atividades ilícitas, segundo despacho do relator Roberto Porto.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decidiu, nesta quinta-feira (25), manter o afastamento por um ano do prefeito de São Bernardo, Marcelo Lima (Podemos), e de outros denunciados pelo Ministério Público em investigação sobre um suposto esquema de corrupção e desvio de recursos públicos no município.

A medida foi confirmada após o ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ter solicitado que o TJ reavaliasse a necessidade da decisão. Em resposta, o relator Roberto Porto destacou que os indícios apontam que os acusados teriam se utilizado dos cargos para estruturar uma organização criminosa, reforçando que o retorno às funções poderia comprometer provas e permitir a continuidade das práticas ilícitas.

Segundo o despacho, a saída temporária dos cargos não prejudica a administração municipal, já que a vice-prefeita Jéssica Cormick (Avante) assumiu imediatamente as funções e mantém a gestão em andamento.

As investigações tiveram início após a Polícia Federal apreender R$ 14 milhões em espécie com o ex-servidor da Alesp, Paulo Iran, apontado como operador financeiro do grupo. A partir desse fato, a PF deflagrou a Operação Estafeta, que resultou no afastamento do prefeito, do presidente da Câmara Danilo Lima (Podemos), do vereador Ary de Oliveira (PRTB), além de secretários, servidores e empresários ligados ao suposto esquema.

Marcelo Lima é apontado como líder do grupo, enquanto o ex-secretário de Coordenação Governamental, Fábio do Prado, teria atuado diretamente na movimentação de valores ilícitos junto aos demais denunciados.