Documentos revelam que ex-prefeito de São Bernardo deixou faturas vencidas, apesar de negar as acusações em declarações públicas.

Oito notas fiscais obtidas pelo Diário revelam que o ex-prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (sem partido), deixou dívidas vencidas ao final de sua gestão, encerrada em 31 de dezembro de 2024. As pendências financeiras ficaram a cargo do atual prefeito, Marcelo Lima (Podemos). Em uma live realizada na última quinta-feira, Morando havia negado as acusações e desafiado a apresentação de provas.

No dia 20 de fevereiro, o jornal divulgou que o ex-prefeito deixou R$ 274 milhões em faturas vencidas durante sua administração. Algumas dessas dívidas, pagas em janeiro, estavam atrasadas desde setembro. Em resposta, Morando negou a informação em vídeo nas redes sociais, afirmando: “Se alguém tem alguma dúvida, quero que apresente a fatura vencida” e completou: “Respeito a crítica, mas a verdade é essa.”

Nos últimos dias, a reportagem teve acesso, por meio de fontes ligadas à Secretaria de Finanças de São Bernardo, a cópias de oito notas fiscais com vencimento anterior ao fim de 2024. Os pagamentos, porém, só foram efetuados na gestão atual.

Uma dessas notas, emitida pela FUABC (Fundação do ABC), responsável pela administração da rede municipal de saúde, tem o número 46.772 e o valor de R$ 445.369,08, com vencimento em 31 de outubro de 2024. O pagamento foi realizado via TED em 3 de janeiro de 2025.

A Prefeitura esclareceu que a diferença de R$ 16.014,83 entre o valor cobrado e o pago refere-se a descontos aplicados pela alimentação dos funcionários da FUABC e à emissão de segundas vias de crachás.

Apesar das evidências, Morando insistiu em afirmar que não deixou débitos pendentes em sua gestão. Por meio de sua assessoria, reiterou: “A gestão do então prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, não deixou débitos a pagar.”

Contudo, ao ser confrontado com a nota fiscal 46.772 referente a serviços prestados em setembro, Morando alterou sua versão, alegando que os recursos para quitar a dívida já haviam sido reservados em caixa, justificando que “a prefeitura não paga nada antecipado e o valor devido foi deixado em caixa para ser efetuado o pagamento em janeiro de 2025.

Fonte: dgabc.com.br